Milhares de utilizadores em Portugal registaram problemas de acesso à Internet durante o dia 14 de setembro de 2026, com a MEO a confirmar posteriormente ter sido alvo de um “ataque em massa”.
Internet lenta, sites inacessíveis e falhas nas ligações fixas e móveis foram alguns dos problemas relatados.
Mas o que aconteceu realmente? E os dados dos clientes estiveram em risco?
MEO confirma ataque em massa
Ao final do dia, a MEO confirmou que tinha sido alvo de um ataque que provocou congestionamento e degradação temporária da sua rede internacional.
A operadora ativou mecanismos de mitigação e recuperação para estabilizar os serviços.
Durante o período de maior instabilidade, o Downdetector chegou a registar mais de 7.300 relatos de problemas relacionados com a MEO.
Também surgiram queixas relacionadas com NOS, Vodafone e DIGI, embora em números bastante inferiores.
Os dados dos clientes foram comprometidos?
Segundo a informação divulgada pela MEO, não houve intrusão nos sistemas nem acesso aos dados dos clientes.
Esta é uma distinção importante.
Um ciberataque não significa necessariamente que alguém tenha conseguido entrar nos sistemas ou roubar informação.
Neste caso, os dados conhecidos apontam sobretudo para um problema relacionado com a disponibilidade e desempenho da rede.
Até ao momento não existe, portanto, indicação de que os clientes necessitem de alterar palavras-passe especificamente devido a este incidente.
NOS, Vodafone e DIGI também foram atacadas?
Apesar de terem existido relatos de falhas noutras operadoras, não está confirmado que NOS, Vodafone e DIGI tenham sido alvo do mesmo ataque.
A MEO foi claramente a operadora com maior número de ocorrências e foi também aquela que confirmou publicamente o ataque.
A Internet funciona através de inúmeras redes interligadas. Uma falha importante numa dessas redes pode, por isso, acabar por afetar acessos a serviços utilizados por clientes de outros operadores.
Foi um ataque DDoS?
Uma das possibilidades discutidas é a existência de um ataque DDoS — Distributed Denial of Service.
Neste tipo de ataque, enormes quantidades de tráfego são enviadas para uma infraestrutura com o objetivo de a sobrecarregar.
É semelhante a colocar milhares de veículos simultaneamente numa estrada que apenas consegue suportar algumas centenas: rapidamente surge congestionamento e os restantes utilizadores deixam de conseguir circular normalmente.
No entanto, a MEO não confirmou publicamente que se tenha tratado de um ataque DDoS.
Por isso, esta possibilidade não deve ainda ser considerada uma causa confirmada.
E o possível problema de BGP?
Durante a falha começaram também a surgir relatos relacionados com possíveis anomalias de BGP — Border Gateway Protocol.
O BGP é um dos sistemas responsáveis por indicar às diferentes redes da Internet qual o caminho que o tráfego deve seguir.
Uma configuração incorreta ou um chamado BGP route leak pode fazer com que grandes quantidades de tráfego sejam encaminhadas por caminhos errados.
O resultado pode ser semelhante ao que alguns utilizadores sentiram: determinados sites funcionam normalmente enquanto outros ficam extremamente lentos ou completamente inacessíveis.
No entanto, não existe até ao momento confirmação oficial de que um problema BGP tenha sido responsável pelo incidente da MEO.
O que sabemos até agora
Neste momento podemos confirmar que:
- a MEO sofreu um “ataque em massa” no dia 14 de setembro;
- o incidente provocou congestionamento da rede internacional;
- milhares de clientes reportaram dificuldades no acesso à Internet;
- a MEO afirma que não houve acesso aos dados dos clientes;
- não está ainda confirmado publicamente qual foi o método utilizado no ataque;
- as hipóteses de DDoS ou problemas relacionados com BGP continuam por confirmar.
A situação demonstra novamente como as ligações à Internet se tornaram críticas não apenas para particulares, mas principalmente para empresas.
Faturação, pagamentos, sistemas cloud, lojas online, acessos remotos e ferramentas de trabalho dependem cada vez mais de uma ligação permanente.
Quando essa ligação falha, uma empresa pode ficar parcialmente ou mesmo totalmente parada.
Como pode uma empresa preparar-se para uma falha destas?
Uma ligação secundária de Internet, soluções 4G/5G de emergência, backups e um plano de continuidade podem fazer uma enorme diferença.
No próximo artigo da V3DSI vamos explicar como preparar uma pequena empresa para falhas de Internet, ciberataques e outros incidentes informáticos, com medidas simples e acessíveis.
A V3DSI continuará também a acompanhar este incidente e atualizará esta informação caso sejam divulgados novos detalhes técnicos sobre a origem do ataque.

